Mario Wonder nativo já roda como código recompilado em computadores modernos. Em 2 de outubro de 2026, uma demonstração mostrou Super Mario Bros. Wonder funcionando no Windows em um notebook com GeForce RTX 3050, com a primeira fase perto de 60 FPS. Além disso, o desenvolvedor já havia demonstrado o mesmo projeto em um Mac com Apple M1. Não se trata de um emulador: o projeto recompila antecipadamente o código ARM64 do Nintendo Switch para código nativo.
O projeto é conduzido pelo desenvolvedor Belmante e continua em fase de desenvolvimento. Por enquanto, o repositório permanece privado. Portanto, não existe uma versão pública pronta para download. A equipe também cita Android, Linux e iOS como plataformas planejadas, mas a evidência verificável disponível nesta rodada confirma execução do mesmo projeto em macOS e Windows; Android ainda aparece apenas como objetivo futuro.
Demonstração do projeto de recompilação de Super Mario Bros. Wonder no Windows. Imagem: TechEBlog.
Como o Mario Wonder nativo funciona
Em vez de simular o hardware do Switch em tempo real, o projeto recompila antecipadamente as instruções ARM64 do jogo. Dessa forma, a máquina de destino executa o resultado como código nativo, sem um JIT ou interpretador entre o jogo e o processador.
A camada gráfica exige um trabalho separado. Super Mario Bros. Wonder usa a API NVN da Nintendo. No projeto, uma camada própria recebe essas chamadas e as traduz para Vulkan. No macOS, o caminho utiliza MoltenVK; no Windows mostrado em outubro, a camada conversa diretamente com o driver Vulkan da NVIDIA.
Vídeo mostra o projeto rodando o primeiro estágio no Windows perto de 60 FPS.
Port para Windows revelou novos problemas gráficos
A migração do Mac para o Windows também expôs diferenças importantes. Segundo a cobertura técnica, algumas texturas do jogo usam ASTC, formato que GPUs NVIDIA de desktop não tratam da mesma forma que o hardware original. Por isso, o projeto adicionou um decodificador em CPU durante o carregamento das texturas.
Além disso, os desenvolvedores precisaram ajustar barreiras entre passes de renderização. No Mac, o Metal já introduzia parte dessas sincronizações. No Windows, porém, a execução sobre Vulkan revelou falhas no HUD até que o projeto adicionasse as barreiras necessárias. Também surgiram problemas de upload que faziam personagens aparecerem com cores incorretas.
Outra captura da build nativa em desenvolvimento no Windows. Imagem: TechEBlog.
Mario Wonder nativo chega perto de 60 FPS no Windows
Na demonstração de 2 de outubro, o primeiro estágio ficou próximo de 60 FPS em um notebook com RTX 3050. Entretanto, esse resultado ainda não representa um benchmark final. O projeto continua em desenvolvimento, e o desempenho pode mudar conforme os desenvolvedores refinarem a camada NVN → Vulkan, o cache de pipelines e a decodificação de texturas.
O desenvolvedor também pretende testar o projeto em uma Intel UHD 770. Esse teste será relevante porque a GPU integrada oferece um alvo mais modesto do que a RTX 3050. Assim, será possível entender melhor o custo real da recompilação e da tradução gráfica.
Android está planejado, mas ainda não deve ser tratado como confirmado
Nos comentários da demonstração inicial no Mac, o desenvolvedor afirmou que pretende criar versões para Android, Windows, Linux e iOS. Contudo, nessa publicação o projeto ainda não executava gameplay e Android aparecia apenas como destino futuro. A nova demonstração de outubro confirma um avanço grande no Windows, mas não comprova, por si só, uma build Android equivalente.
Por isso, o estado atual é mais preciso assim: o desenvolvedor já demonstrou versões para Windows e macOS; Android, Linux e iOS fazem parte do plano. Essa distinção evita confundir um objetivo anunciado com uma versão já funcional.
Projeto ainda não tem lançamento público
O repositório continua privado enquanto o desenvolvimento amadurece. O plano declarado é liberar futuramente o recompilador, a camada NVN → Vulkan e a documentação produzida durante o trabalho. Até lá, não existe pacote oficial público para instalar.
Quando houver uma distribuição pública, o usuário deverá respeitar as exigências legais do projeto e utilizar apenas dados obtidos de sua própria cópia legalmente adquirida do jogo. O Allves Games não fornece ROMs, arquivos proprietários ou instruções para obtenção não autorizada.
O avanço se encaixa em uma tendência recente de ports e recompilações nativas. O site já acompanha projetos como o MediEvilRecomp e o port nativo de Metroid Prime. Além disso, o Mario Wonder nativo chama atenção por partir de um jogo de Switch e por já mostrar gameplay no Windows.
Fontes: publicação do desenvolvedor no r/decomps; TechEBlog; Nintendo.