MediEvilRecomp ganhou sua primeira versão pública nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026. O projeto da BlackLabelHQ transforma o MediEvil original de PlayStation em uma recompilação estática que roda nativamente em computadores modernos, com builds prontas para Windows, Linux e macOS.
A estreia acontece como open beta v0.1b. Portanto, a equipe ainda considera o projeto em desenvolvimento. Mesmo assim, os responsáveis afirmam que a campanha pode ser concluída, com todos os cálices e itens acessíveis, enquanto a maior parte das técnicas usadas por speedrunners continua funcionando.
Vídeo do Allves Games que reúne as novidades de ports e recompilações abordadas nesta matéria.
MediEvilRecomp adiciona widescreen e FPS maiores
A recompilação traz recursos que vão além da apresentação original do PlayStation. Entre eles estão widescreen, proporção ajustável, aumento da distância de renderização e suporte a taxas de quadros superiores.
O projeto também inclui PGXP, um renderer de terreno alternativo e interpolação de quadros. Entretanto, a própria equipe classifica PGXP e frame interpolation como experimentais. Assim, essas opções ainda podem apresentar artefatos visuais.
MediEvil original de PlayStation serve de base para a recompilação estática. Imagem: The King of Grabs.
Open beta usa a cópia original de MediEvil
A BlackLabelHQ não distribui os dados comerciais do jogo. Para usar o MediEvilRecomp, o jogador precisa de sua própria cópia NTSC USA em inglês. A abordagem mantém o projeto separado da distribuição dos assets originais.
Tecnicamente, o MediEvilRecomp não é um emulador de PlayStation. O projeto usa o RecompOne para recompilar código MIPS do jogo para execução nativa em hardware moderno. Parte do trabalho também se apoia na decompilação para compreender e adaptar comportamentos específicos.
MediEvilRecomp: experimental PGXP + frame interpolation showcase
Demonstração publicada pelo desenvolvedor mostra PGXP e interpolação de quadros antes do open beta.
Windows, Linux e macOS recebem builds prontas
A release v0.1b oferece pacotes x64 para Windows, Linux e macOS. Além disso, o GitHub disponibiliza builds ARM64 para Windows e macOS. Isso amplia o alcance para PCs Windows on Arm e Macs com Apple Silicon.
No macOS, portanto, ARM64 já aparece como alvo oficial desta primeira versão. No entanto, a release não oferece APK para Android nem IPA para iPhone ou iPad. Também não há anúncio de App Store, TestFlight ou controles por toque.
Por esse motivo, não é correto transformar as builds ARM64 de desktop em promessa de suporte mobile. Até agora, Android e iOS/iPadOS ficam fora dos pacotes publicados.
Outra cena do MediEvil original, cuja lógica agora pode rodar por recompilação em sistemas modernos. Imagem: Dazeland.
PGXP e interpolação ainda têm limitações
Antes do lançamento, um dos desenvolvedores mostrou uma comparação com PGXP e frame interpolation. Na demonstração, a distância de renderização estava em 2,5 vezes o valor original. Segundo o autor, o ajuste pode chegar a quatro vezes, embora alguns polígonos deixem de aparecer corretamente nesse limite.
A equipe também afirma que a interpolação consegue atingir taxas elevadas, mas não apresenta isso como benchmark universal. O resultado depende do hardware e, sobretudo, o recurso ainda é experimental. Portanto, a novidade principal desta release é a disponibilidade pública da recompilação, e não uma promessa de desempenho específico.
Beta ainda possui problemas conhecidos
A BlackLabelHQ alerta para pequenos problemas de áudio. Além disso, PGXP e interpolação ainda não reproduzem todos os casos perfeitamente. A equipe recomenda salvar o progresso com frequência e promete atualizações posteriores.
Apesar das limitações, o lançamento representa um marco concreto para preservação técnica do jogo de 1998. O MediEvilRecomp saiu da fase de demonstrações e agora possui uma build pública capaz de executar o jogo nativamente em três sistemas operacionais.
O projeto também reforça uma tendência recente de recompilações estáticas de jogos antigos. Diferentemente de remakes, elas procuram manter a lógica do software original enquanto adaptam a execução para arquiteturas e APIs modernas.
Fontes: BlackLabelHQ/MediEvilRecomp; release v0.1b; demonstração técnica do desenvolvedor.