O NeuralScreen 2.1.6 foi lançado em 26 de setembro de 2026 com duas mudanças voltadas ao uso e à análise do DLSS 5 Neural Rendering. A atualização corrige o contador exibido na tela e, além disso, adiciona um novo controle para testar diferentes resoluções do campo de movimento produzido pelo NVIDIA Optical Flow Accelerator, o NVOFA.
Embora o desenvolvedor classifique a versão como um pequeno patch da linha 2.1, a nova opção tem interesse técnico. Isso porque ela permite comparar o comportamento do optical flow padrão em blocos de 4×4 pixels com um campo em nível de pixel, quando o hardware e o driver oferecem essa possibilidade.
O vídeo acima mostra o método completo do NeuralScreen em uso. A seguir, o artigo entra nos detalhes específicos desta versão.
Interface oficial do NeuralScreen 2.1.6 executando Neural Rendering em uma GeForce RTX 5070 Ti. Imagem: projeto NeuralScreen.
NeuralScreen 2.1.6 libera comparação entre grids do NVOFA
A principal novidade técnica aparece na variável NS_NVOFA_GRID. Ela permite alterar a resolução do campo de vetores entregue pelo backend de optical flow da NVIDIA.
Por padrão, o NeuralScreen continua usando o valor 4. Nesse modo, o NVOFA produz um vetor de movimento para cada bloco de 4×4 pixels. Depois, o programa expande esse campo para a resolução necessária.
Entretanto, a versão 2.1.6 permite solicitar NS_NVOFA_GRID=1. Nesse caso, o programa pede ao driver um campo de movimento com um vetor para cada pixel. Portanto, o desenvolvedor agora consegue comparar diretamente as duas abordagens.
A documentação oficial do NVIDIA Optical Flow SDK confirma que o NVOFA trabalha com grids de 4×4, 2×2 e 1×1 pixels em hardware compatível. A NVIDIA também informa que os modos 2×2 e 1×1 estão disponíveis a partir da arquitetura Ampere.
Grid 1×1 busca um campo de movimento mais detalhado
A diferença afeta a granularidade dos vetores. Com grid 4×4, um único vetor representa o movimento de um bloco com 16 pixels. Já o grid 1×1 pode fornecer um vetor para cada pixel.
Segundo o desenvolvedor do NeuralScreen, o campo 4×4 passa por expansão bilinear. Consequentemente, uma borda em movimento pode sofrer deformação mais suave. O método DIS executado pela CPU, por outro lado, produz um campo em nível de pixel e pode preservar bordas de outra forma.
O novo controle cria justamente uma forma de comparar essas condições. Porém, o desenvolvedor alerta que solicitar o campo 1×1 exige mais tempo de GPU.
Tela de configurações mostra o NVOFA como opção de estimativa de movimento. A captura é de uma versão anterior da interface e serve como referência visual. Imagem: projeto NeuralScreen.
A mudança não melhora automaticamente a imagem
Apesar da granularidade maior, o projeto não afirma que o grid 1×1 produz necessariamente uma imagem melhor. Na verdade, a versão mantém o grid 4×4 como padrão.
Além disso, o desenvolvedor descreve NS_NVOFA_GRID como uma ferramenta de medição e comparação. Assim, a imagem padrão do NeuralScreen não mudou simplesmente por instalar a versão 2.1.6.
O programa também consulta os grids oferecidos pelo driver. Caso o usuário solicite uma configuração que o sistema não aceite, o NeuralScreen retorna à preferência informada pelo próprio driver e registra a situação no log.
Essa validação evita uma comparação enganosa. Sem ela, o usuário poderia selecionar um grid e acreditar que o programa realmente o utilizou, mesmo quando o driver tivesse recusado a configuração.
Por que o NVOFA importa para o NeuralScreen
O NVOFA é um acelerador dedicado presente em GPUs NVIDIA compatíveis. Ele calcula optical flow ao analisar o deslocamento dos pixels entre quadros.
Segundo a NVIDIA, o hardware recebe dois frames e produz um mapa com vetores que representam o movimento entre eles. O Optical Flow SDK expõe esse mecanismo para aplicações por meio das APIs da empresa.
No NeuralScreen, essa informação tem uma função especialmente importante porque o programa aplica Neural Rendering fora da integração tradicional de um jogo. Portanto, ele não recebe necessariamente os mesmos dados de movimento que um título com suporte nativo pode fornecer diretamente pelo motor gráfico.
Por isso, mudanças na geração e na granularidade desse campo podem ser úteis para investigar estabilidade temporal, movimento e artefatos. No entanto, a versão 2.1.6 ainda não apresenta um benchmark visual que demonstre uma vantagem definitiva do grid 1×1.
Contador agora acompanha o estado real do Neural Rendering
A segunda mudança corrige o contador exibido pelo programa. Antes da versão 2.1.6, ele podia consultar uma cópia desatualizada do estado do painel.
Por exemplo, o usuário podia ativar o Neural Rendering pelo atalho Num1. O processamento começava e o log registrava a execução, porém o contador podia continuar invisível.
Também existia o problema inverso. Se um worker encerrasse o Neural Rendering, o snapshot antigo poderia fazer o contador continuar indicando um passe que já havia parado.
Agora, os valores acompanham cada frame enviado ao HUD. Dessa forma, o contador passa a refletir o estado efetivo do processamento. O snapshot do painel permanece apenas como alternativa para componentes que não usam o HUD.
Versão passou pela suíte de testes do projeto
O desenvolvedor informa que a versão 2.1.6 passou por 226 verificações, sem falhas e com cinco testes ignorados. O ciclo de testes da interface gráfica também terminou sem erro.
Além disso, o projeto adicionou testes específicos para o novo controle do NVOFA. Eles verificam o valor padrão, os grids aceitos e a resposta quando o driver recusa uma configuração.
O teste do contador também recebeu novos casos. Assim, a suíte verifica se o estado transportado pelo HUD prevalece sobre um snapshot antigo.
NeuralScreen continua sendo um projeto independente
O NeuralScreen não representa uma implementação oficial da NVIDIA. O projeto aplica o Neural Rendering à captura do desktop do Windows e também oferece recursos como Boost, múltiplos passes, Frame Generation, captura de janela e saída Spout2.
De acordo com a documentação atual do projeto, a RTX 50 é a família validada localmente para Neural Rendering, enquanto existem relatos em RTX 40. O suporte de outras configurações permanece em diferentes estágios de validação.
O desenvolvedor também recomenda o driver NVIDIA mais recente. Além disso, o próprio projeto alerta contra o uso do overlay em jogos competitivos com sistemas anti-cheat.
Por fim, a versão 2.1.6 não transforma o grid 1×1 em novo padrão. Seu principal avanço é permitir que desenvolvedores e usuários técnicos comparem, de forma controlada, a granularidade do campo de movimento fornecido pelo NVOFA.
Fontes: release oficial do NeuralScreen 2.1.6, repositório oficial do NeuralScreen e documentação oficial do NVIDIA Optical Flow SDK.