Banjo-Tooie Recompiled ganhou em 30 de setembro de 2026 a versão Alpha 3 de um novo port nativo não oficial do clássico de Nintendo 64 para Windows. O projeto usa recompilação estática com N64Recomp e renderização via RT64, portanto não executa o jogo por meio de um emulador tradicional. A build pública já permite jogar no Windows x64, embora o desenvolvedor ainda trate o projeto como experimental.
A primeira Alpha pública apareceu em 28 de setembro. Desde então, o responsável publicou três builds em poucos dias. A versão Alpha 3 concentra o trabalho em correções de animação, câmera e efeitos gráficos. Além disso, o projeto oferece widescreen, opções de resolução e taxa de quadros, controles modernos e ferramentas voltadas a testes e speedruns.
Cena inicial executada pelo Banjo-Tooie Recompiled. Imagem: some-scurvy-dog/BanjoTooieRecompiled.
Banjo-Tooie Recompiled transforma código do N64 em port nativo
O projeto usa o N64Recomp para traduzir antecipadamente o código MIPS do Nintendo 64. Depois dessa etapa, o computador executa código recompilado em vez de interpretar as instruções originais em tempo real como faria um emulador convencional.
Vídeo do Allves Games que reúne as novidades de ports e recompilações abordadas nesta matéria.
O RT64 cuida da renderização. Dessa forma, o port consegue integrar recursos mais adequados a computadores atuais, enquanto preserva a lógica original do jogo. O projeto também utiliza o trabalho de engenharia reversa da decompilação de Banjo-Tooie como base para símbolos e outras informações técnicas.
Esse modelo lembra outros projetos recentes de preservação acompanhados pelo Allves Games. O Conker Recompiled também usa recompilação estática para transformar um jogo de Nintendo 64 em executável nativo. Já projetos como o Foxhollow seguem outro caminho, pois compilam código reconstruído por decompilação.
Banjo e Kazooie em Spiral Mountain na versão recompilada. Imagem: some-scurvy-dog/BanjoTooieRecompiled.
Alpha 3 corrige câmera, animações e efeitos
A Alpha 3 corrige o jitter da câmera perto de paredes. O desenvolvedor também ajustou animações que funcionavam em uma frequência reduzida nos alienígenas e ratos de Witchyworld, além de eliminar tremores na mochila de Banjo e nos objetos carregados dentro dela.
As penas receberam várias correções. A atualização reduz jitter, elimina sobreposição de penas e impede que esses objetos desapareçam cedo demais ao se aproximarem das bordas da tela. Além disso, a equipe corrigiu minas com comportamento gráfico incorreto no minigame do submarino em Atlantis.
Outro ajuste afeta o botão de parede exibido durante a cena do Saucer of Peril. A atualização também cria arquivos separados para as capturas de diagnóstico acionadas pela tecla F4. Assim, um novo registro não sobrescreve automaticamente o anterior.
Mesmo com as correções, a release ainda documenta problemas conhecidos. Os overlays dos menus podem apresentar falhas durante a entrada, enquanto sombras podem perder cobertura ao atravessar superfícies inclinadas.
Jinjo Village renderizada pelo novo port nativo para Windows. Imagem: some-scurvy-dog/BanjoTooieRecompiled.
Port exige a própria cópia de Banjo-Tooie
O repositório não distribui o jogo nem seus assets. Para iniciar o port, o jogador precisa fornecer sua própria cópia compatível de Banjo-Tooie. Neste estágio, o launcher aceita especificamente a ROM NTSC-U 1.0 em formato big-endian .z64 e valida o arquivo antes de iniciar.
Depois disso, o programa oferece suporte a teclado e controles, remapeamento, vibração em dispositivos compatíveis e ajustes de apresentação, resolução e antialiasing. Há também ferramentas de progressão e uma sessão separada chamada Private Practice, que inclui um slot persistente de save state para treinamento.
O próprio desenvolvedor ressalta que a conclusão integral do jogo e uma ampla compatibilidade entre diferentes configurações de PC ainda não foram estabelecidas. Portanto, a disponibilidade da Alpha não significa que o port esteja pronto para substituir outras formas maduras de executar Banjo-Tooie.
Linux, macOS, Android e iOS ainda não têm build
Neste momento, a distribuição pública mira apenas computadores Windows x64. O README afirma explicitamente que builds para Linux e Apple Silicon/macOS ainda não estão prontas.
Também não existe versão oficial para Android, iPhone ou iPad. Consequentemente, não há APK, IPA, TestFlight ou versão para App Store, nem requisitos publicados de Android, iOS ou iPadOS. O projeto também não documenta suporte móvel a Vulkan, OpenGL ES, Metal, controles por toque ou hardware ARM/ARM64 testado.
Por isso, eventuais tentativas futuras de executar o programa de Windows por uma camada de compatibilidade em celulares não devem ser confundidas com um port nativo para Android ou iOS. Até que o projeto publique um alvo móvel próprio, o suporte oficial continua restrito ao Windows x64.
Projeto ainda está em fase inicial
O ritmo das primeiras releases mostra que o trabalho continua ativo. A Alpha 1 saiu em 28 de setembro, a Alpha 2 chegou no dia seguinte e a Alpha 3 foi publicada em 30 de setembro. Entretanto, as correções rápidas também reforçam o caráter experimental da implementação.
O autor informa ainda que ferramentas de inteligência artificial geraram partes substanciais do código e ajudaram em engenharia e revisão. Segundo a documentação, o responsável atua principalmente na direção do desenvolvimento, testes e verificação de comportamento.
Para preservação, o ponto mais importante é que Banjo-Tooie agora possui mais um caminho para execução nativa em hardware moderno. Diferentemente de um remake ou remaster comercial, o projeto tenta preservar a lógica do jogo original enquanto adapta sua execução para um ambiente atual. O próximo delta relevante será uma versão mais madura, validação completa da campanha ou a chegada oficial a novas plataformas.
Fontes: Banjo-Tooie Recompiled — repositório oficial; Alpha 3 — release oficial; N64Recomp.