Dead Cells de PS5 rodando nativamente no Windows deixou de ser apenas uma possibilidade técnica: em 27 de setembro de 2026, o projeto DeadCells-PS5 Native publicou uma implementação jogável baseada no AnyPS5. A versão de PlayStation 5 de Dead Cells: Return to Castlevania Edition agora chega do logotipo ao gameplay no Windows, com áudio, teclado, mouse e controles, sem emulação de CPU e sem um processo de emulador executando o jogo.
O avanço representa um novo estágio para o AnyPS5. Até então, o projeto já conseguia relinkar executáveis do PlayStation 5, inicializar partes do sistema gráfico e alcançar o loop principal de aplicações. Entretanto, ainda não havia uma implementação pública demonstrando um jogo de PS5 convertido em um programa Windows independente e jogável.
Dead Cells de PS5 virou um programa nativo do Windows
O projeto DeadCells-PS5 Native descreve o resultado como uma execução nativa por relinking. Em vez de manter uma camada de emulação ativa enquanto o jogo funciona, o processo transforma o executável original para que ele possa ser carregado diretamente pelo Windows.
O teste utiliza especificamente Dead Cells: Return to Castlevania Edition de PS5, com o identificador PPSA15552 e a versão 01.000.000. Segundo a documentação, outras versões, regiões e atualizações ainda não foram validadas.
Dead Cells
A arquitetura do PlayStation 5 ajuda a tornar esse método possível. Tanto o console quanto PCs atuais utilizam CPUs x86-64. Portanto, neste caso, não é necessário traduzir continuamente as instruções do processador para uma arquitetura diferente.
Isso, porém, não significa que um executável do PS5 possa simplesmente ser aberto no Windows. O jogo espera bibliotecas, serviços e interfaces específicas do sistema da Sony. Além disso, seu pipeline gráfico não corresponde diretamente ao ambiente gráfico de um PC.
Como o AnyPS5 faz a conversão
O AnyPS5 utiliza um relinker para converter o executável do jogo para o formato nativo do sistema de destino. O projeto também implementa bibliotecas PRX necessárias para que as chamadas originalmente destinadas ao ambiente do PlayStation possam funcionar no PC.
No caso gráfico, o processo é mais complexo. Os shaders utilizados pelo jogo precisam ser convertidos para SPIR-V. Depois disso, o resultado pode ser executado por meio da API Vulkan no Windows.
Assim, o método fica tecnicamente mais próximo de um port baseado em relinking e recompilação antecipada de componentes do que de um emulador tradicional. O próprio projeto enfatiza que não existe emulação de CPU nem um processo separado de runtime acompanhando o jogo durante a execução.
Gameplay funciona, mas desempenho ainda varia
O desenvolvedor informa que Dead Cells já passa pelo logotipo e chega ao gameplay, mantendo música e efeitos sonoros. Teclado, mouse e gamepads compatíveis com SDL também funcionam.
Entretanto, os números publicados ainda representam apenas um teste específico. Em um computador equipado com Ryzen 7 5800X3D e GeForce RTX 5070 Ti, o desenvolvedor relatou aproximadamente 55 a 60 FPS em ambientes internos e cerca de 30 a 35 FPS nas áreas externas.
Portanto, esses resultados não devem ser interpretados como desempenho geral do AnyPS5 ou do port em qualquer computador. Ainda faltam testes independentes, diferentes GPUs e uma matriz maior de hardware.
O projeto também recomenda 16 GB de RAM ou mais. No lado gráfico, é necessária uma GPU com Vulkan 1.1 ou superior, além de extensões e recursos específicos usados pela implementação.
O que mudou em relação ao estágio anterior do AnyPS5
O principal delta técnico está justamente na execução jogável. Antes desse desenvolvimento, a documentação do AnyPS5 indicava que aplicações reais já alcançavam etapas avançadas de inicialização e renderização. No entanto, a execução ainda encontrava funções e recursos gráficos não implementados.
Agora existe um projeto derivado com um jogo específico chegando efetivamente ao gameplay. Além disso, a implementação possui entrada por teclado, mouse e gamepad, reprodução de áudio e armazenamento de saves em uma pasta local.
Esse resultado não significa que o AnyPS5 tenha se transformado em uma ferramenta universal capaz de converter automaticamente qualquer jogo do PlayStation 5. Pelo contrário, o estágio continua experimental, e Dead Cells funciona por meio de uma implementação direcionada e testada com uma versão específica.
Projeto ainda está em estágio inicial
Há outras limitações importantes. Recursos do DualSense, como vibração, barra de luz e controles de movimento, ainda não foram implementados no DeadCells-PS5 Native.
Além disso, apenas uma edição específica do jogo foi validada. Por isso, patches diferentes, outras regiões ou dumps reorganizados podem não funcionar. Também não existe, neste momento, evidência suficiente para concluir que jogos maiores ou exclusivos tecnicamente mais complexos possam ser convertidos com o mesmo nível de funcionalidade.
Dead Cells
A demonstração deve ser tratada, portanto, como uma prova prática do método. Ela mostra que a abordagem do AnyPS5 pode chegar além da inicialização e produzir um executável Windows jogável em um caso real. Ainda assim, não demonstra compatibilidade generalizada com o catálogo do PlayStation 5.
Projeto não distribui arquivos de Dead Cells
O repositório não inclui o jogo, firmware, chaves criptográficas nem bibliotecas proprietárias da Sony. Para utilizar o projeto, o usuário precisa fornecer sua própria cópia legalmente obtida de Dead Cells para PlayStation 5.
A versão testada usa o executável descriptografado e os arquivos correspondentes da edição PPSA15552. Depois da preparação inicial, o jogo é iniciado pelo arquivo deadcells.exe como um programa do Windows.
Esse detalhe também diferencia a implementação de um lançamento convencional para PC. Embora Dead Cells já possua uma versão oficial para computadores, o objetivo técnico aqui é executar especificamente o código da edição de PlayStation 5 após o processo de relinking.
Por que esse avanço é relevante
Dead Cells não é um título exclusivo do PlayStation 5, portanto o projeto não oferece uma nova forma prática de acessar o jogo para quem já possui a versão oficial de PC. Seu valor está principalmente na demonstração técnica.
Pela primeira vez, a equipe do projeto afirma ter transformado uma versão comercial de PS5 em um programa Windows independente e jogável utilizando a infraestrutura do AnyPS5. Isso fornece uma prova concreta para uma abordagem que, anteriormente, ainda estava concentrada nas etapas de inicialização, bibliotecas do sistema e renderização.
O próximo teste importante será verificar se o método pode ser reproduzido em outros jogos, sobretudo títulos com engines, APIs e dependências diferentes. Também será necessário observar desempenho, compatibilidade e estabilidade em hardware independente.
Fontes: DeadCells-PS5 Native no GitHub, AnyPS5 no GitHub e Dead Cells na PlayStation Store.