BlueWake foi apresentado publicamente em 28 de setembro de 2026 como um port experimental de The Legend of Zelda: The Wind Waker para iPhone e iPad. O projeto recompila antecipadamente o código PowerPC da versão original de GameCube para ARM64, usa Metal para os gráficos e não precisa de JIT durante a execução. A build do desenvolvedor já mantém 30 FPS em um iPad Pro com chip M2, embora partes posteriores da campanha ainda precisem de testes.
A distinção técnica é importante. O BlueWake não executa o jogo da mesma maneira que um emulador tradicional de GameCube. Por outro lado, também não é uma reescrita completa do jogo: o runtime deriva do Dolphin e continua reproduzindo serviços do hardware original, enquanto algumas instruções raras ainda podem cair em um interpretador.
BlueWake recompila Wind Waker para ARM64
Segundo a documentação oficial do BlueWake, o processo traduz antecipadamente para ARM64 o executável principal e os 415 módulos do jogo. Essa etapa acontece no Mac durante a criação do aplicativo, e não no iPhone ou iPad enquanto o jogador está executando The Wind Waker.
Por isso, o projeto não depende de um recompilador Just-in-Time. Depois da conversão, o aplicativo executa código ARM64 nativo e utiliza uma camada de compatibilidade para memória, temporização, disco, cartão de memória, controles e áudio DSP.
Nos gráficos, o BlueWake utiliza Metal. O projeto se apoia em componentes do RecompCore e DolRecomp, além do renderer Aurora. Entretanto, a documentação evita classificar o sistema como completamente livre de emulação: o runtime derivado do Dolphin ainda implementa partes do ambiente do GameCube.
BlueWake não é o mesmo que rodar Dolphin no iPhone
A arquitetura coloca o projeto em uma categoria diferente do iCube, que recentemente rodou jogos de GameCube e Wii sem JIT no iPhone e iPad. O iCube continua sendo um emulador baseado no Dolphin e pode executar diversos jogos. Já o BlueWake prepara especificamente o código de The Wind Waker para ARM64 antes da execução.
Assim, chamar o BlueWake simplesmente de “Dolphin sem JIT” também seria impreciso. A CPU segue um caminho de recompilação estática, enquanto o runtime fornece os serviços necessários para o código recompilado continuar interagindo com um ambiente equivalente ao esperado pelo jogo.
BlueWake mantém 30 FPS no iPad Pro M2
Os números publicados pelo desenvolvedor trazem contexto suficiente para evitar uma generalização. No iPad Pro de 12,9 polegadas com chip M2, a build de desenvolvimento manteve 30 FPS em velocidade completa. Em uma sessão de 44 minutos, o projeto registrou apenas 14 segundos abaixo de 29 FPS, concentrados em pequenas quedas durante carregamentos de áreas.
Já o iPhone 14 com A15 apresentou 30 FPS durante a maior parte do teste, mas caiu para aproximadamente 25–27 FPS nas cenas mais pesadas e durante a animação da tela inicial. Portanto, os 30 FPS não devem ser tratados como desempenho garantido em qualquer iPhone compatível.
Além disso, o desempenho depende de uma etapa de otimização executada durante a compilação. O builder cria um perfil baseado em trechos do próprio jogo e usa essas informações para organizar melhor o código. Sem esse treinamento, o desenvolvedor mediu aproximadamente 27,5 FPS no píer de Outset Island no mesmo iPad Pro M2.
Port exige A13, iOS 17 e um Mac para compilar
O requisito mínimo documentado é um iPhone ou iPad com chip A13 ou superior e iOS/iPadOS 17 ou mais recente. O usuário também precisa ativar o Developer Mode.
Por enquanto, não existe um IPA oficial pronto para download. O repositório é classificado pelo próprio autor como uma source preview. Para instalar, o usuário precisa de um Mac com Apple Silicon, Xcode, CMake, Ninja e pelo menos 12 GB livres, embora o projeto recomende 25 GB.
O BlueWake aceita somente a versão americana original de GameCube identificada como GZLE01, revisão 0. O usuário precisa fornecer sua própria imagem de disco. O repositório não inclui os dados comerciais de The Wind Waker.
Um comando executa o builder, verifica a cópia, traduz o código, faz o treinamento de otimização e produz um IPA não assinado. Depois disso, o aplicativo pode ser instalado com Sideloadly, AltStore, SideStore ou Xcode.
Uma conta Apple gratuita funciona para assinatura. Entretanto, nesse caso, o aplicativo expira após sete dias e precisa ser assinado novamente. O projeto não está disponível na App Store nem no TestFlight neste momento.
Touch, controles e resolução de até 4×
Além da execução nativa de código ARM64, o BlueWake já oferece controles por toque com editor de layout, ajuste de tamanho e transparência. Controles reconhecidos pelo iOS também funcionam, incluindo remapeamento de botões, inversão de câmera e rumble.
O menu permite alterar a resolução interna em até 4×, filtragem anisotrópica de até 16× e proporção da imagem. O projeto também oferece suporte a pacotes de textura HD no formato usado pelo Dolphin.
Entre os mods, há widescreen 16:9 e compatibilidade com Better Wind Waker, que acrescenta mudanças de qualidade de vida inspiradas em Wind Waker HD, como Swift Sail e texto instantâneo.
Campanha completa ainda não foi validada
Apesar dos resultados, o projeto ainda está em estágio inicial. O desenvolvedor testou a abertura, prólogo, Outset Island, navegação pelo Great Sea, Windfall, menus, saves e um arquivo localizado em Hyrule mais adiante na campanha.
Entretanto, masmorras posteriores e batalhas contra chefes continuam em grande parte sem testes. Também existem pequenos engasgos durante mudanças de área e objetos podem demorar para aparecer na primeira visita a locais ainda não presentes no cache fornecido pelo projeto.
Consequentemente, a apresentação pública do BlueWake representa um marco técnico, mas não equivale a declarar todo The Wind Waker perfeitamente jogável no iPhone e iPad. O próximo delta relevante será a validação mais ampla da campanha, melhorias de desempenho em chips menores ou uma distribuição pública mais simples.
Fontes: BlueWake — repositório oficial; Ponto de Hoje; cobertura original repercutida pelo MacMagazine/Apende News.