Super Mario Galaxy chegou a 100% de decompilação em 28 de setembro de 2026, e o marco já abriu caminho para o AstroCore, um port nativo não oficial para PC mostrado em execução pela comunidade Luma’s Workshop. O avanço encerra a etapa principal do Petari, projeto da SMGCommunity que reconstrói o código do clássico de Wii, enquanto uma equipe separada trabalha para transformar essa base em uma versão executável em computadores.
A diferença técnica é importante. O Petari é uma decompilação matching: seu objetivo é reconstruir código-fonte que reproduza o binário original, e o próprio repositório afirma que não é um projeto de port para PC. Já o AstroCore é a camada voltada à execução em computadores. Portanto, a notícia reúne dois marcos relacionados, mas distintos.
Super Mario Galaxy chega a 100% no Petari
O repositório oficial SMGCommunity/Petari descreve o trabalho como uma decompilação de Super Mario Galaxy. O projeto não distribui assets nem código comercial da Nintendo e exige que o usuário possua os dados originais necessários para compilar a reconstrução.
A política do projeto também proíbe código de decompilação gerado por inteligência artificial. Ferramentas de IA podem auxiliar em limpeza, formatação, documentação e nomes, porém a equipe rejeita contribuições que usem geração automática para reconstruir o código do jogo.
Esse marco não significa que o repositório Petari tenha virado um executável pronto para Windows. Na verdade, o README separa explicitamente a decompilação do desenvolvimento de um port. Essa distinção evita confundir reconstrução do código com recompilação estática automática ou emulação do Wii.
AstroCore transforma a decompilação em port para PC
Em paralelo, a página oficial do AstroCore identifica o projeto como o software de PC usado para executar esses jogos. A Luma’s Workshop publicou uma demonstração em vídeo e afirmou que espera disponibilizar o projeto em breve, embora ainda não tenha anunciado uma data de lançamento.
O vídeo é a evidência prática mais importante até agora: o AstroCore já consegue colocar Super Mario Galaxy em execução fora do ambiente original. No entanto, ainda não existe uma release pública do AstroCore, nem requisitos de sistema completos ou uma lista fechada de recursos compatíveis.
Por isso, recursos como resolução destravada, taxas de quadros maiores e modding avançado devem ser tratados como possibilidades naturais de um port nativo, e não como uma lista definitiva de funções da primeira versão pública.
Decompilação não é emulação nem recompilação automática
O método também difere dos projetos de recompilação estática que o Allves Games acompanha. No LCS Recomp de GTA Liberty City Stories, por exemplo, uma ferramenta transforma antecipadamente o binário do PSP em unidades de código para um runtime moderno.
O Petari segue outra rota. Desenvolvedores reconstruíram manualmente o código de Super Mario Galaxy até obter uma base correspondente ao programa original. Depois, um port como o AstroCore pode adaptar esse código reconstruído às APIs, entrada, vídeo, áudio e demais serviços de um computador moderno.
Esse modelo se aproxima mais do port nativo de Super Mario Strikers, que também parte de código decompilado, do que de projetos que traduzem automaticamente instruções de um executável comercial.
Super Mario Galaxy 2 é o próximo alvo da equipe
Depois de concluir a etapa principal do primeiro jogo, a equipe de decompilação informou que pretende fazer uma rodada de limpeza e então avançar para Super Mario Galaxy 2. O segundo título já possui um esforço próprio de engenharia reversa, conhecido como Garigari.
Enquanto isso, o AstroCore entra em uma fase diferente: transformar a base reconstruída em uma experiência prática no PC. A comunidade já mostrou gameplay, mas ainda precisa demonstrar uma build pública, documentar compatibilidade e estabelecer quais melhorias estarão disponíveis no lançamento.
O avanço também se encaixa em uma sequência recente de ports comunitários. O port de GoldenEye 007, por exemplo, já alcançou uma campanha completa a 60 FPS a partir de código reconstruído, enquanto outros projetos usam recompilação estática para chegar a sistemas modernos.
O que muda após os 100%
Para o Petari, chegar a 100% representa um marco de preservação e engenharia reversa. Para jogadores, porém, o delta mais relevante será o próximo: uma primeira versão pública do AstroCore que possa ser instalada e testada fora do ambiente de desenvolvimento.
Até esse lançamento acontecer, é mais preciso dizer que o port de Super Mario Galaxy para PC está em desenvolvimento e já foi demonstrado, mas ainda não foi liberado ao público. Também não existe anúncio de Android ou iOS para o AstroCore neste momento.
Fontes: SMGCommunity/Petari; Luma’s Workshop — AstroCore; vídeo “The next step…”; GamesRadar+.