ARMSX2 2.7.2 foi lançado em 30 de setembro de 2026 com mudanças importantes no Frame Generation, no renderer e na preparação de pipelines da emulação de PlayStation 2 em dispositivos ARM. A atualização também estreia capas animadas formadas pelos próprios ícones 3D dos saves do PS2 e incorpora correções recentes do PCSX2.
O lançamento sucede o ARMSX2 2.7.1, detalhado pelo Allves Games. A versão anterior introduziu o driver ARMSX2 Turnip e várias otimizações ARM64. Agora, o 2.7.2 mexe novamente em partes sensíveis do pipeline gráfico e busca reduzir engasgos durante os primeiros frames de cada jogo.
ARMSX2 2.7.2 muda o funcionamento do Frame Generation
Uma das principais mudanças está na integração com o Lossless Scaling Frame Generation, ou LSFG. O recurso continua destinado a usuários que possuem sua própria cópia do Lossless Scaling, mas agora trabalha em uma etapa diferente do pipeline.
Antes, o Frame Generation operava sobre a imagem final na resolução da tela. Agora, quando o jogo é apresentado sem upscaler, CAS, shader de TV ou rotação, o ARMSX2 entrega ao processo a imagem na resolução em que o próprio jogo foi renderizado.
Isso reduz a quantidade de pixels que o algoritmo precisa processar em vários cenários. Além disso, o modo automático de detalhe de movimento passou a mirar 432 linhas e nunca excede a resolução realmente desenhada pelo jogo.
ARMSX2 2.7.2 modifica o ponto em que o LSFG processa a imagem para reduzir o custo do Frame Generation em situações compatíveis. Imagem: ARMSX2.
Overlay deixa de ser interpolado junto com os frames
O overlay também ganhou um tratamento separado. Nas versões anteriores, textos e números da interface de desempenho podiam entrar na imagem processada pelo Frame Generation. Como esses elementos mudam rapidamente, a interpolação podia produzir borrões.
Agora, o ARMSX2 desenha novamente o overlay sobre cada frame gerado. Dessa forma, os elementos de monitoramento permanecem mais nítidos.
A linha de informações do LSFG também acompanha o overlay de desempenho e mostra o tempo de GPU consumido pelo Frame Generation. Quando o novo caminho de meia precisão está ativo, o indicador exibe fp16.
A atualização adiciona um modo de meia precisão para GPUs e drivers compatíveis, identificado como FP16 no overlay. Imagem: ARMSX2.
FP16 pode reduzir o custo do Frame Generation
Outra novidade é a opção Half Precision. Quando a GPU oferece suporte adequado, o recurso executa shaders do Frame Generation com meia precisão.
A equipe afirma que isso pode acelerar o FG em determinadas combinações de GPU e driver. Entretanto, o recurso vem desativado por padrão. Portanto, não existe promessa de ganho universal em todos os aparelhos.
O ARMSX2 2.7.2 também leva o Frame Generation a GPUs Adreno 6xx que utilizam driver Turnip. A equipe confirmou funcionamento em uma Adreno 650, embora reconheça que essa geração de GPU normalmente possui pouca margem de desempenho para o custo adicional do LSFG.
Além disso, o emulador passa a explicar no overlay e nas configurações por que o Frame Generation foi desligado quando algum problema impede sua execução. A atualização também corrige um caso no qual dificuldades para gravar o cache de shaders podiam desativar o recurso silenciosamente.
Pipelines são preparados antes de aparecerem na tela
Outra mudança importante afeta diretamente o frame pacing. Agora, os pipelines registrados anteriormente para cada jogo podem ser construídos em threads de trabalho durante a inicialização.
Antes, parte desse trabalho podia acontecer no meio de um frame. Isso aumentava a possibilidade de pequenas pausas justamente quando um novo pipeline era necessário.
O cache SPIR-V também passa a sobreviver a atualizações de driver. Segundo a equipe, a combinação deve reduzir engasgos nos primeiros frames do jogo e também após mudanças de driver.
Além disso, os caches de shader e pipeline agora carregam um formato verificado. Caso o ARMSX2 detecte um cache danificado ou incompatível, ele descarta o arquivo em vez de entregá-lo ao driver gráfico.
Frames pesados deixam de esperar pela GPU
O renderer recebeu outra otimização para situações nas quais os vértices de um frame excediam o espaço disponível. Anteriormente, o emulador podia parar no meio do frame e esperar pela GPU.
Agora, o buffer de vértices cresce para acomodar a carga. Com isso, CPU e GPU evitam uma sincronização desnecessária em uma parte crítica da renderização.
Linhas também passam por uma conversão mais direta para pixels. Além disso, um layout comum de triangle strips recebeu um caminho rápido, enquanto determinadas transferências GS-to-GS mais largas permanecem na GPU em vez de voltar para a CPU.
Software renderer avança em precisão
O ARMSX2 2.7.2 também traz uma afirmação relevante sobre o software renderer. Segundo as notas oficiais, o projeto agora alcança aproximadamente 98% de precisão por pixel na maioria dos jogos testados pela equipe.
Esse número vem dos próprios desenvolvedores e não representa um benchmark independente de todo o catálogo do PlayStation 2. Ainda assim, ele indica o foco atual do projeto em reproduzir com maior fidelidade o comportamento gráfico do console.
O software renderer tende a ser especialmente útil como referência em jogos que apresentam efeitos difíceis de reproduzir corretamente pelo caminho acelerado por GPU. Entretanto, maior precisão não significa necessariamente maior desempenho.
Ícones reais dos saves viram capas animadas
A mudança visual mais incomum da versão recebe o nome Memory Card Covers. Quando ativada, ela substitui a capa convencional do jogo pelo ícone 3D armazenado no próprio save do PlayStation 2.
O modo Animated reproduz movimento e iluminação desses modelos. Já o modo Still posiciona o ícone de frente. O usuário também pode permitir rotação ou preservar apenas a animação definida originalmente pelo save.
O recurso funciona na grade, lista, prateleira e seção de jogos recentes. Quando não existe um ícone disponível, o ARMSX2 mantém a box art tradicional.
A versão 2.7.2 amplia as opções acessíveis pelo menu rápido e acrescenta novos ajustes de controle. Imagem: ARMSX2.
ARMSX2 procura ícones nos saves, discos e banco online
O sistema segue uma ordem específica para localizar os modelos. Primeiro, procura os ícones presentes nos cartões de memória do próprio usuário. Depois, verifica a imagem do jogo.
O ARMSX2 consegue procurar esses dados em imagens ISO e CHD, inclusive quando existe um contêiner CVM. A equipe afirma que encontrou um ícone utilizável em aproximadamente quatro de cada dez discos de sua biblioteca de testes.
Por fim, existe uma base online opcional. Ela utiliza o PS2 Icon Open Database e reúne 4.456 ícones relacionados a 8.234 serials. Segundo a equipe, o pacote completo foi comprimido de aproximadamente 1,1 GB para cerca de 62 MB.
O usuário pode baixar somente o ícone de um título, buscar os correspondentes aos jogos de sua biblioteca ou obter todo o conjunto. O recurso é opcional.
Icon Museum preserva os modelos 3D do PS2
A atualização também estreia o Icon Museum. A ferramenta permite visualizar em tela cheia os ícones encontrados nos cartões, nos discos e na base online.
Além do aspecto visual, a função tem interesse de preservação. Os saves do PlayStation 2 podiam armazenar pequenos modelos 3D com animações e iluminação próprias. Assim, o ARMSX2 passa a apresentar esses elementos diretamente, em vez de convertê-los apenas em imagens estáticas.
O usuário pode navegar pelos modelos, marcar um favorito e usar uma função aleatória. A biblioteca também ganhou um protetor de tela que apresenta esses ícones quando permanece sem interação por um período configurável.
Áudio, Turnip e controles recebem correções
A versão 2.7.2 corrige ainda um problema no áudio surround. Em modos de expansão entre 2.1 e 7.1, o stream podia ser aberto incorretamente como mono. O sistema também passa a considerar o tamanho de burst do próprio dispositivo.
Para usuários de Turnip, uma nova opção permite controlar a indicação de UBWC. A equipe recomenda deixá-la desativada, exceto quando determinados drivers recentes exibirem glitches em GPUs Adreno.
Os controles por toque receberam várias correções. Multitouch passa a funcionar com mais elementos, incluindo macros, turbo e modificadores de pressão. Além disso, o usuário pode configurar separadamente a sensibilidade dos eixos X e Y do giroscópio.
Correções recentes do PCSX2 também entram na versão
Como o ARMSX2 deriva do PCSX2, a nova versão incorpora mudanças upstream produzidas entre 30 de agosto e 25 de setembro de 2026.
Entre elas aparecem correções no GS e no texture cache, um acesso fora dos limites no VIF, ajustes de DMA do DEV9, atualização para rcheevos 12.5 e mudanças nos bancos de dados de jogos e Redump.
A correção relacionada ao flag hack do recompilador VU também foi portada para ARM64. Portanto, o 2.7.2 combina recursos próprios do ARMSX2 com trabalho recente do projeto que serve como sua base.
ARMSX2 2.7.2 é mais que uma atualização visual
As capas animadas são a mudança mais imediatamente visível, porém o delta técnico da versão está principalmente no renderer, no gerenciamento dos caches e no novo caminho do Frame Generation.
A preparação antecipada dos pipelines busca atacar pequenos travamentos durante a renderização. Ao mesmo tempo, o processamento do LSFG em resolução mais próxima da imagem original tenta reduzir o custo da geração de frames em situações compatíveis.
O ARMSX2 continua sendo um emulador de PlayStation 2 voltado a hardware ARM. O projeto possui builds para dispositivos móveis e computadores ARM e deriva do código do PCSX2, embora mantenha várias implementações próprias.
O emulador não fornece jogos comerciais nem a BIOS proprietária do PlayStation 2. Para utilizá-lo, o usuário deve empregar sua própria cópia legalmente adquirida dos jogos e extrair a BIOS do hardware que possui.
Fontes: ARMSX2 — notas oficiais da versão 2.7.2; ARMSX2 — site oficial; ARMSX2 — release 2.7.2 no GitHub.