Paper Mario Android ganhou uma implementação nativa baseada no PaperBoat, port comunitário do clássico de Nintendo 64 criado sobre a decompilação Paper Mario DX. A versão móvel compila o código reconstruído para ARM64 e executa o jogo diretamente no sistema do Google, em vez de iniciar o binário MIPS original dentro de um emulador de Nintendo 64.
A novidade ganhou visibilidade em 1º de outubro de 2026 com uma build Android funcional do projeto. Além disso, a própria base atual do PaperBoat já contém infraestrutura específica para Android, iOS e navegador. O usuário continua precisando fornecer uma cópia compatível de Paper Mario obtida de sua própria mídia.
Vídeo do Allves Games que reúne as novidades de ports e recompilações abordadas nesta matéria.
Paper Mario Android roda como código ARM64
O PaperBoat nasceu como um port da Harbour Masters baseado na decompilação Paper Mario DX. No desktop, o projeto já possui versões para Windows, Linux e macOS. Agora, o trabalho móvel leva a mesma base reconstruída para processadores ARM64.
No Android, o código C e C++ do jogo entra em uma biblioteca nativa. O libultraship fornece parte da infraestrutura do port, enquanto a camada de plataforma cuida de entrada, janela, áudio e outros serviços do sistema.
Essa arquitetura diferencia o projeto de soluções como Mupen64Plus ou RetroArch. Em um emulador tradicional, o aparelho reproduz o ambiente do Nintendo 64 para executar o programa original. No PaperBoat, o código reconstruído é compilado para o hardware moderno.
Paper Mario 64, jogo cuja decompilação serve de base ao PaperBoat. Imagem de referência do jogo original.
Controles touch podem ser reposicionados
A versão Android não depende exclusivamente de um controle físico. O próprio engine desenha um conjunto de botões sobre a área de renderização. Por isso, o usuário pode jogar diretamente pela tela sensível ao toque.
Nas configurações, é possível alterar escala e opacidade dos controles. Além disso, o editor de layout permite arrastar individualmente os botões para outras posições da tela. O sistema também aceita controles físicos por meio do banco de mapeamentos utilizado pelo projeto.
Consequentemente, o suporte móvel vai além de simplesmente compilar um executável ARM. A interface recebeu uma adaptação específica para aparelhos touch.
Gameplay de Paper Mario 64 usado como referência visual do jogo original; o vídeo não representa benchmark da build Android.
APK extrai os dados da cópia do próprio usuário
O PaperBoat não inclui os arquivos comerciais de Paper Mario. No Android, o launcher solicita uma ROM compatível pelo seletor de documentos e compara o arquivo com a configuração mantida pelo projeto.
Depois da validação, a ferramenta Torch extrai os dados necessários e cria o arquivo pm64.o2r. Já paperboat.o2r reúne recursos pertencentes ao próprio port, como shaders, fontes e elementos da interface.
Assim, o APK não funciona como um pacote que redistribui o jogo da Nintendo. O usuário precisa fornecer sua própria cópia legalmente obtida. A documentação principal do PaperBoat lista a edição americana compatível pelo hash SHA-1 3837f44cda784b466c9a2d99df70d77c322b97a0.
Android usa OpenGL ES e não exige Vulkan
A implementação móvel utiliza OpenGL ES para renderização. Portanto, Vulkan não aparece como requisito obrigatório desta build. Isso também diferencia o projeto de alguns ports móveis recentes que dependem diretamente de Vulkan e drivers específicos.
A configuração analisada compila apenas para arm64-v8a. A documentação explica que ARM de 32 bits poderia ser adicionado ao processo de build, porém essa arquitetura não faz parte do alvo atual distribuído.
A cobertura publicada em 1º de outubro aponta Android 7.0 ou superior como alvo da configuração atual. Entretanto, isso representa o requisito de plataforma da build, e não uma garantia de desempenho em qualquer aparelho compatível. Ainda não existe uma tabela abrangente de celulares, SoCs e GPUs validados.
Paper Mario 64 em uma captura do jogo original. A versão PaperBoat recompila a base reconstruída para plataformas modernas. Imagem: GamesRadar+.
iPhone e iPad também aparecem na infraestrutura
O suporte móvel não termina no Android. A documentação oficial do PaperBoat possui instruções específicas para iOS e informa que o sistema de integração contínua gera um IPA não assinado.
Esse arquivo exige sideload e não representa um lançamento na App Store ou no TestFlight. Além disso, a existência de uma build automatizada não significa que a equipe tenha anunciado uma versão comercial ou oficialmente suportada pela Apple.
Os controles touch do engine também funcionam no iOS. Assim como no Android, eles ficam ativados por padrão nas plataformas móveis e podem ter tamanho, opacidade e posição modificados.
O projeto também mantém código para navegador. Nesse caso, a mesma estrutura CMake é adaptada para Web, enquanto o usuário continua responsável por fornecer os dados necessários do jogo.
PaperBoat já havia levado Paper Mario ao desktop
A Harbour Masters lançou publicamente o PaperBoat para computadores em setembro de 2026. A versão principal oferece Windows, Linux e macOS e suporta DirectX 11 no Windows, OpenGL nas plataformas compatíveis e Metal no macOS.
O port também aceita assets personalizados em pacotes .o2r e .otr. Portanto, a base foi criada não apenas para preservar Paper Mario em sistemas atuais, mas também para facilitar mods e melhorias futuras.
A chegada do Android representa um delta importante em relação ao lançamento de desktop. O código reconstruído agora pode executar nativamente em ARM64, enquanto touch, extração dos assets no próprio aparelho e um launcher móvel reduzem as adaptações manuais necessárias.
Port nativo não deve ser confundido com emulação
O PaperBoat parte de código reconstruído pelo trabalho de decompilação e adapta esse código a plataformas modernas. Por isso, a classificação correta é source port baseado em decompilação.
Não se trata de recompilação estática automática do executável MIPS original. Também não é streaming, wrapper ou uma versão comercial independente para celular.
No Android, o código é compilado para ARM64 e a apresentação passa pelo backend gráfico moderno. O aparelho ainda precisa interpretar os recursos e comportamentos gráficos reconstruídos pelo projeto, mas não executa o jogo dentro de uma máquina virtual de Nintendo 64.
Por enquanto, desempenho sustentado precisa de mais testes em hardware real. Demonstrações individuais podem mostrar boa fluidez em determinados aparelhos, porém não substituem benchmarks em diferentes GPUs e SoCs.
O avanço amplia rapidamente o alcance do PaperBoat. Depois de Windows, Linux e macOS, Paper Mario 64 já possui um caminho nativo para Android ARM64 e uma infraestrutura documentada para iPhone, iPad e navegador.
Fontes: YlPorts/PaperBoat-android; HarbourMasters/PaperBoat; documentação oficial Android/iOS/Web; AndroGaming.