Um novo teste técnico mostra que DLSS 5 aumenta o consumo da RTX 5090 de forma significativa sob carga pesada. Em Cyberpunk 2077, uma GeForce RTX 5090 Founders Edition chegou a 91,7 °C no conector 12V-2×6 com o Neural Rendering ativado, contra 80,9 °C nas mesmas condições sem DLSS 5.
A QuasarZone realizou o teste em 3840 × 2160, preset Ultra e DLSS no modo Quality durante 20 minutos. Além disso, o laboratório manteve a temperatura ambiente em 27,5 °C ±0,5 °C e mediu consumo, temperatura e corrente com HWiNFO, NVIDIA PCAT e termografia.
O resultado mais interessante aparece na alimentação. Pelo PCAT, a potência média total da RTX 5090 subiu de 527,3 W para 593,9 W. Ao mesmo tempo, somente o conector de 16 pinos passou de 516,5 W para 582,7 W. Portanto, praticamente todo o aumento médio observado na placa apareceu também no 12V-2×6.
No ponto mais quente medido, o conector da RTX 5090 FE passou de 80,9 °C para 91,7 °C com DLSS 5. Dados: QuasarZone, gráfico reproduzido pelo 3DNews.
RTX 5090 chega a 91,7 °C no conector com DLSS 5
O teste térmico mediu o conector da RTX 5090 Founders Edition pelos dois lados.
No lado voltado para os quatro contatos de sinal, a temperatura máxima passou de 80,9 °C sem DLSS 5 para 91,7 °C com a tecnologia ativada.
Já no lado da trava, o teste registrou 77,1 °C sem Neural Rendering e 83,4 °C com o recurso ligado.
Assim, o maior aumento ocorreu justamente no ponto que já apresentava a temperatura mais elevada antes da ativação do DLSS 5.
Entretanto, esses números precisam de contexto. O teste não demonstra que qualquer RTX 5090 chegará automaticamente a 91,7 °C. Ele registra o comportamento de uma Founders Edition específica, submetida a uma carga, ambiente e duração definidos.
Também não existe, nesse teste, evidência de que atingir 91,7 °C signifique necessariamente que o conector esteja prestes a derreter.
O resultado mostra algo mais objetivo: o Neural Rendering aumentou simultaneamente a potência sustentada e a temperatura do conector nessa configuração.
DLSS 5 adicionou cerca de 66 W de consumo médio à RTX 5090
As medições de potência ajudam a explicar a diferença térmica.
O HWiNFO registrou consumo médio de 509,2 W com DLSS 5 desligado. Quando a QuasarZone ativou o Neural Rendering, a média subiu para 575,1 W.
Isso colocou a RTX 5090 muito próxima de seu limite de potência nominal de 575 W.
Por outro lado, o NVIDIA PCAT registrou valores ainda maiores porque mede externamente a energia fornecida à placa e também captura picos curtos.
Segundo o PCAT, a média total passou de:
527,3 W → 593,9 W
O pico total passou de:
582,5 W → 658,0 W
Portanto, o aumento médio total medido pelo PCAT foi de aproximadamente 66,6 W.
O PCAT registrou 593,9 W de média e pico de 658 W na RTX 5090 FE com DLSS 5 ativado. Dados: QuasarZone, gráfico reproduzido pelo 3DNews.
Quase todo o aumento apareceu no conector de 16 pinos
A medição separada do 12V-2×6 torna o teste particularmente interessante.
Sem DLSS 5, o PCAT registrou 516,5 W de média através do conector. Com Neural Rendering, essa média chegou a 582,7 W.
Assim, o conector passou a fornecer aproximadamente 66,2 W adicionais de forma sustentada no cenário testado.
Os picos também aumentaram. O valor máximo observado no 12V-2×6 passou de 571,7 W para 646,7 W.
No conector 12V-2×6 da RTX 5090, a média chegou a 582,7 W e o pico a 646,7 W com DLSS 5. Dados: QuasarZone, gráfico reproduzido pelo 3DNews.
Isso ajuda a explicar por que observar apenas “GPU Usage = 100%” não revela toda a história.
Duas cargas diferentes podem manter a GPU próxima de 100% e, ainda assim, exigir níveis diferentes de potência, corrente e frequência.
Nesse teste, o Neural Rendering manteve uma carga suficientemente pesada para empurrar a RTX 5090 para muito perto de seu limite de potência durante períodos prolongados.
Confira todas as medições da RTX 5090 com DLSS 5
| Medição | DLSS 5 desligado | DLSS 5 ligado |
|---|---|---|
| HWiNFO — potência média | 509,2 W | 575,1 W |
| PCAT — potência média total | 527,3 W | 593,9 W |
| PCAT — pico total | 582,5 W | 658,0 W |
| 12V-2×6 — potência média | 516,5 W | 582,7 W |
| 12V-2×6 — pico | 571,7 W | 646,7 W |
| Conector — ponto mais quente | 80,9 °C | 91,7 °C |
| GPU — temperatura média | 79,4 °C | 83,0 °C |
| GPU — pico | 82,3 °C | 86,3 °C |
A tabela também mostra uma diferença importante entre a temperatura da GPU e a temperatura do conector.
Enquanto o ponto mais quente do 12V-2×6 aumentou 10,8 °C, a temperatura média da GPU subiu de 79,4 °C para 83 °C.
Portanto, o conector atingiu uma temperatura maior que o próprio processador gráfico durante esse teste.
RTX 5080 apresentou um comportamento muito menos extremo
A QuasarZone repetiu parte da análise com uma GeForce RTX 5080 Founders Edition.
Nesse caso, o HWiNFO registrou aumento de 298,2 W para 350,3 W de potência média depois da ativação do DLSS 5.
Entretanto, as temperaturas do conector permaneceram muito abaixo das observadas na RTX 5090.
No lado dos contatos de sinal, a RTX 5080 passou de 47,6 °C para 48,6 °C. Já no lado da trava, a medição passou de 45,8 °C para 52,2 °C.
Assim, o teste oferece um alerta importante contra generalizações.
O fato de a RTX 5090 ter atingido 91,7 °C não significa que toda GeForce RTX 50 apresente o mesmo comportamento com DLSS 5.
A RTX 5090 trabalha com um orçamento de potência muito maior. Segundo a especificação oficial da NVIDIA, a Founders Edition possui Total Graphics Power de 575 W, enquanto a RTX 5080 opera em uma faixa consideravelmente menor.
Teste com ASUS ROG Astral mede corrente em cada contato
A QuasarZone também utilizou uma ASUS ROG Astral RTX 5090 para analisar a corrente individual nos seis contatos de potência.
Para tornar a comparação mais próxima da Founders Edition, o laboratório limitou a placa a 575 W.
Sem DLSS 5, os contatos transportaram entre 6,94 A e 7,47 A.
Com Neural Rendering, o intervalo subiu para 7,83 A a 8,51 A.
Todos os seis contatos permaneceram abaixo do valor de referência de 9,2 A usado na análise.
Entretanto, a carga maior reduziu a margem disponível e aumentou a corrente em todos os contatos.
Cenário de 10,1 A foi uma simulação, não uma falha real
O teste também apresenta um cálculo hipotético que precisa ser separado das medições físicas.
Os autores simularam o que aconteceria se um dos contatos deixasse de conduzir devido a mau contato ou desgaste.
Nesse cenário teórico, os demais contatos precisariam absorver a corrente perdida.
Sem DLSS 5, o contato mais carregado chegaria a aproximadamente 8,9 A.
Com DLSS 5, o cálculo leva esse valor para aproximadamente 10,1 A.
Porém, isso não aconteceu fisicamente durante o teste.
Portanto, o número de 10,1 A não comprova que DLSS 5 provoque falha de contato. Ele mostra apenas como uma carga elétrica maior poderia alterar a distribuição em uma situação hipotética na qual um contato já apresentasse problema.
O teste não prova que DLSS 5 derrete conectores da RTX 5090
Relatos anteriores já associaram testes de DLSS 5 a RTX 5090 com conectores danificados. Entretanto, esses episódios não estabelecem sozinhos uma relação causal.
Problemas com conectores de alta potência também apareceram em outras cargas e situações que não envolviam DLSS 5.
Além disso, o novo teste da QuasarZone não produziu um conector derretido.
O que os instrumentos mediram diretamente foi outra coisa: mais potência, mais corrente e mais temperatura quando o Neural Rendering entrou em funcionamento.
Assim, seria incorreto transformar 91,7 °C em uma afirmação de que “DLSS 5 derrete a RTX 5090”.
Por outro lado, também seria incorreto ignorar o aumento de carga medido.
A tecnologia adicionou aproximadamente 66 W de consumo médio à placa nesse cenário e manteve o 12V-2×6 fornecendo mais de 580 W em média durante o teste.
Por que o Neural Rendering aumenta tanto a carga?
O DLSS 5 adiciona uma etapa neural pesada ao pipeline gráfico.
Além de renderizar o jogo e executar as outras tecnologias configuradas, a GPU precisa avaliar o modelo de Neural Rendering.
Por isso, uma placa que ainda possui margem de potência e processamento pode elevar clocks, utilização das unidades computacionais e consumo para completar o trabalho adicional.
Na RTX 5090 FE testada, o resultado levou a placa praticamente até seu limite nominal.
Isso também ajuda a explicar por que o custo de DLSS 5 não deve ser medido somente em FPS.
Para analisar a tecnologia com mais profundidade, métricas de potência e frametime fornecem informações que o contador de quadros e a porcentagem de utilização não mostram sozinhos.
Multipass não significa consumo multiplicado pelo número de passadas
Os resultados também são relevantes para experimentos que executam Neural Rendering várias vezes sobre o mesmo frame.
Entretanto, cinco passadas não significam automaticamente cinco vezes o consumo elétrico. Da mesma forma, dez passadas não significam dez vezes mais watts.
A GPU possui limites de potência, tensão, temperatura e frequência.
Quando a carga aumenta, a placa ajusta seus clocks e outras variáveis para permanecer dentro desses limites.
Por isso, o principal ponto a observar em Multipass é por quanto tempo a GPU permanece próxima de seu limite de potência.
Uma sequência pesada pode não aumentar continuamente o pico de watts, mas pode sustentar a placa perto desse teto durante mais tempo.
Vale monitorar potência durante testes de DLSS 5?
Sim. O novo teste mostra que potência média sustentada adiciona uma informação importante às análises de Neural Rendering.
Uma metodologia de teste pode acompanhar:
- FPS;
- frametime;
- GPU Usage;
- temperatura da GPU;
- potência média da GPU;
- picos de potência;
- clock;
- VRAM utilizada.
Para usuários comuns, não existe necessidade de reproduzir deliberadamente um teste extremo de conector.
Ferramentas de monitoramento já permitem observar o comportamento elétrico da GPU durante uma sessão normal de jogo.
Além disso, elevar manualmente o power limit não é necessário para descobrir se determinada configuração de DLSS 5 aumenta a carga sustentada.
Os resultados da RTX 5090 não podem ser transferidos diretamente para uma RTX 5060 Ti
Outra distinção importante envolve as demais GPUs da família.
O teste de 91,7 °C utiliza uma RTX 5090 Founders Edition com consumo próximo de 600 W.
Uma RTX 5060 Ti trabalha em uma classe de potência muito diferente. Portanto, não existe base para afirmar que ela apresentará temperaturas semelhantes no conector ou o mesmo aumento absoluto de consumo.
O mesmo vale para RTX 5070, RTX 5080 e placas modificadas para executar Feature 18 fora do caminho oficialmente previsto.
O teste da própria RTX 5080 reforça essa diferença: embora a potência também tenha aumentado com Neural Rendering, o conector permaneceu muito mais frio.
O que este teste realmente demonstra?
A principal contribuição da análise está na separação entre carga gráfica e alimentação elétrica.
A QuasarZone não observou apenas a utilização da GPU. O laboratório mediu diretamente quanto a placa recebeu, quanto passou pelo conector e como a temperatura respondeu depois de 20 minutos.
Na RTX 5090 Founders Edition testada, DLSS 5 levou o consumo médio total medido pelo PCAT de 527,3 W para 593,9 W.
Ao mesmo tempo, o 12V-2×6 passou de 516,5 W para 582,7 W de média, enquanto a temperatura do ponto mais quente aumentou de 80,9 °C para 91,7 °C.
Isso fornece evidência instrumental de que o Neural Rendering pode aumentar de maneira substancial a carga elétrica sustentada em uma RTX 5090 já operando próxima de seus limites.
Porém, o teste não demonstra que DLSS 5 cause sozinho falhas de conector, nem permite generalizar os 91,7 °C para toda a família RTX 50.
O próximo passo será verificar se outras RTX 5090, cabos, fontes e modelos de placas apresentam comportamento semelhante sob a mesma metodologia.
Fontes: VideoCardz — dados do teste da QuasarZone | PC Master Race Latinoamérica — tabela e análise das medições | 3DNews — reprodução das medições e gráficos da QuasarZone | NVIDIA — especificações oficiais da GeForce RTX 5090.